Dependência e paralisação do turismo

Operadores turísticos e económicos da ilha da Boa Vista solicitaram ao Governo “atenção especial” e pacote diferente de intervenção das restantes ilhas, tendo em conta a dependência e paralisação do turismo impostas pela pandemia.

Operadores turísticos e económicos da ilha da Boa Vista solicitaram ao Governo “atenção especial” e pacote diferente de intervenção das restantes ilhas, tendo em conta a dependência e paralisação do turismo impostas pela pandemia.

Conforme os empresários ligados tanto directa como indirectamente ao sector do turismo, a Boa Vista, assim como a ilha do Sal, são as mais afectadas pela pandemia, com consequências a nível económico-financeiro e social, “quase que imensurável, principalmente devido a dependência exclusiva do turismo”.

Na opinião de Júlia Ramos, a ilha da Boa Vista é a mais fustigada pela crise pandémica, indicando que, por isso, há questões que devem ser assinaladas para optimizar as medidas até agora tomadas pelo Governo para mitigar a crise, podendo, por exemplo, aumentar o tempo de pagamento das prestações das dívidas das empresas e das moratórias até o mês de setembro, e ainda subsidiar os custos da água e electricidade”.

Washington Weidman indicou a necessidade de o Governo criar medidas diferentes para a ilha, na medida em que “todos os negócios estão ligados direta ou indirectamente ao turismo”. Segundo este empresário, com a quebra de facturação entre 40 e 80%, e com a previsão do aumento desta percentagem, muitos se encontram em situação de aflição, observando que alguns que ficaram de fora deste pacote falam em encerrar as portas dos estabelecimentos.

“A situação está a piorar cada vez mais”, lamentou, propondo a prorrogação das moratórias até dezembro. Washington Weidman observou ainda que, mesmo que se venha a retomar o movimento turístico em outubro, as empresas terão que ter um tempo para se reorganizar. Baixar o imposto sobre o IVA de 15% a 10%, por um período temporário, isentar taxas de importação a produtos de primeira necessidade, para que se consiga proporcionar preços especiais de certos alimentos às famílias em tempos de crise, são outras propostas de Washington Weidman.

Por sua vez, a empresária Wanda Fernandes indicou como sugestões a prorrogação da lay off por mais meses e estendê-la aos gerentes das empresas, e em vez de 35% aumentar esta medida para 70%, melhorar a negociação do pagamento da segurança social no INPS, assim como apostar futuramente nas indústrias criativas, de conservação alimentícia, na agricultura e nas pescas.

Um agente de viagens preferiu falar sobre o “tempo do sector empresarial”. Para este agente, “é preciso agir e intervir mais rápido, e, sobretudo, diminuir o timing de questões burocráticas para se poder agilizar alguns processos e ajudar na resolução dos mais diversos problemas económicos sociais”.

Os empresários questionaram ainda sobre “previsão da data, concerto ou criação de melhores condições de negociação de ao menos alguns voos charter de algum operador turístico, no sentido de, afirmaram, “ter alguma esperança, ver luz no fundo do túnel, de modo a se prepararem melhor, ou até mesmo tentar ajudar neste processo”.

Fonte: Expresso das Ilhas